Cavalo Campeiro no Globo Rural

Campeiro

O feito de uma cavaleira sulista de Santa Catarina, do município de Curitibanos, consegue impressionar. Embora montando um garanhão, que normalmente é mais fogoso que um castrado, Mariana Becker equilibra um copo com leite na copa do chapéu por quantas voltas quiser, tal é a maciez do andamento. O garanhão é um típico representante da raça dos campeiros. O campeiro é o caçula entre os marchadores, pois é a raça reconhecida mais recentemente, em 1985, apesar de ter pelo menos 400 anos de história.

O campeiro surgiu na região das florestas de pinheiro, por isso, ganhou o título de “O Marchador  das Araucárias”. Todo fim de semana, no Planalto Catarinense, o que restou dos pinhais serve de moldura para animadas e confortáveis cavalgadas.

Ivadi de Almeida tem 90 anos e ainda pratica montaria. É filho, neto, bisneto de tropeiros, criador e negociante de cavalos. A descoberta do cavalo campeiro como raça se deu por acaso. Ivadi foi a São Paulo em 1964 com a intenção de trazer um garanhão para fazer melhoramento genético. Em uma exposição de mangalarga, ele acordou para o fato que o plantel de campeiro era único e não era bem o mangalarga como pensava.

Ele conta que a diferença principal é a origem, mais espanhola que portuguesa, e remonta ao ano de 1541. O aventureiro Alvar Nuñes, o Cabeza de Vaca, foi nomeado governador da Província do Prata pelo rei da Espanha. Na viagem, parou em Florianópolis e seguiu por terra atravessando Santa Catarina até Assunção, no Paraguai. Da  tropa que Cabeza de Vaca tinha trazido, alguns animais se desgarraram, outros foram cruzando com éguas fugidas dos primeiros criatórios argentinos e assim formou-se a base da raça que espontaneamente se desenvolveu nas montanhas de araucárias.

Quando Ivadi pediu a vistoria do Ministério da Agricultura, em 1985, os técnicos prontamente reconheceram a raça. Um cavalo robusto, rústico, nem alto nem baixo, estatura média de 1,48 m, e um corpo que se encaixa perfeitamente no padrão internacional do animal de sela: o formato quadrado com proporções bem equilibradas de membros e linha de dorso.

Beatriz de Almeida, presidente da Associação dos Criadores do Cavalo Campeiro, lembra que o marchador das araucárias foi selecionado na lida do campo. É bom de serviço, cerca muito bem o gado e faz com perfeição a corrida para laçada. A raça hoje se expande em fazendas de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Acesso ao vídeo da reportagem: http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2013/01/computador-analisa-marcha-de-cavalo-com-cameras-de-alta-velocidade.html