Aconteceu em Concórdia-SC…

Nesse fim de semana, dias 10 e 11 de março, o Núcleo de Criadores de Cavalo Campeiro de Concórdia promoveu a 1ª Prova Oficial para Cavalos de Marcha do núcleo, no CTG Fronteira da Querência.

 Dia 10 ocorreu o lançamento oficial e apresentação da diretoria do Núcleo de Criadores de Cavalo Campeiro de Concórdia.

 Dia 11 pela manhã foi realizada a Prova Oficial Cavalos de Marcha aberta para equinos não registrados.

 Avaliação e marcação de éguas para registro em livro aberto.

E a 1ª Prova Oficial Cavalos Campeiros, que recebeu o nome de Osny Coninck (in memoriam),  grande criador e incentivador da raça. Essa prova era apenas para animais registrados. Os primeiros colocados receberam prêmios como mateiras, facas, mochila para montaria entre outros.

Paralelo ao evento também acontecia passeios de charrete e pônei, que encantou as crianças presentes.

Parabéns ao Núcleo de Concórdia pela organização do evento e pelo incentivo dado aos criadores.

Na divulgação da Lusitanidade-Parte IV

Durante dias percorrendo estradas, de fazenda em fazenda, escutando estórias do passado, de vidas; entre risadas, boa comida, lindas paisagens e muita amizade – dessas que, embora firmadas recentemente, remontam uma existência, pois todos os sentimentos bons são assegurados pela integridade do caráter e da palavra – é possível notar que o grande orgulho de todos os criadores e independente do uso a que destinam suas tropas, é o Cavalo Campeiro.

Angelina Ferraz e Pedro Paulo Ferraz, criadores da Fazenda Caxambú – São José do Cerrito

Novos adeptos da causa, aos poucos vão se juntando aos veteranos, como é o caso de Angelina Ferraz e seu marido Pedro Paulo Ferraz, residentes em Curitibanos e com criação na Fazenda Caxambú, em São José do Cerrito. Eles também são colaboradores da ABRACCC, juntamente com a Veterinária Gláucia Almeida, o senhor Umerindo Fernandes de Oliveira, senhor Luis Marcos Cruz; senhoras Beatriz de Moraes e Camila Cerrati, para além de muitos outros…

Os primeiros habitantes da região do planalto serrano de Santa Catarina, foram os índios da nação Jé, dos  Xoklens e Kaiganges. Os outros moradores foram os cavalos, conhecido hoje como Campeiro. Tanto uns como outros, são o elo entre o passado e o presente e que de um modo quase invisível, são parte da história e formação cultural do extremo sul do país. O respeito ao meio e as diferenças e semelhanças naturais existentes na composição estrutural que formou e forma cada povo em sua região, deve servir sempre como elemento capaz de agregar e unir.

O Estado de Santa Catarina faz parte de uma região diversificada, rica e formada por diferentes etnias e suas raízes permanecem vivas, tanto quanto estão vivos todos os seus muitos “filhos do tempo”.

Na divulgação da Lusitanidade-Parte III

Em Florianópolis também há criadores do Cavalo Campeiro e o senhor Lauro Stéfani é um deles. Dono do Haras Floripa, localizado no sul da ilha de Santa Catarina, cria Campeiro a vinte e seis anos e optou pela raça, em razão da praticidade, resistência, conforto, rusticidade e beleza física. Seus animais são usados para o laser e para cavalgadas à beira mar, nos finais de semana e nas férias. Já na baixa temporada, é comum vê-lo organizar passeios mais longos para outras localidades, acompanhado dos seus familiares. Outra forma bastante usada pelo senhor Lauro, de divertir-se com seus cavalos, é juntar vários deles, colocando-os em um caminhão especial para o transporte de carga viva e com amigos, subir a serra para passar finais de semana, percorrendo trilhas e coxilhas.

Em Florianópolis é comum o serviço de aluguel de cavalos, que é oferecido pelos vários haras espalhados por toda a ilha e muitas são as pousadas que costumam divulgar passeios e cavalgadas aos hóspedes e turistas de modo geral.

Criador Lauro Stéfani – Haras Floripa - Garanhão Ébano e o domador Ageu Furtado - Florianópolis

 Nas fazendas, o Campeiro representa papel de destaque. É de fácil  montaria, possuindo muita maciez no andar, com movimentação leve, obediência, inteligência e coragem. Na Fazenda Estância Velha, ele é utilizado para o trabalho diário pelo senhor Renato Almeida e seu filho José Geraldo Almeida. Já para os netos, os cavalos são utilizados para passeios, cavalgadas, provas de rédeas em rodeios regionais ou eventos semelhantes.

Senhor Renato Almeida – Fazenda Estância Velha - Curitibanos

A pureza da raça que por longos anos manteve-se na situação de isolamento, é hoje o mérito maior e um patrimônio a ser preservado. Esse é o fruto do esforço de seus criadores mais antigos e agora também dos novos que aos poucos vão se juntando ao grupo dos admiradores, através da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campeiro – ABRACCC, com sede na cidade de Curitibanos.

A associação foi fundada em 1976 através de recursos próprios, tendo como objetivo maior, defender o padrão genético da raça do Cavalo Campeiro. Com o apoio da Secretaria de Agricultura do Estado de Santa Catarina, a raça foi oficializada no Ministério da Agricultura em 1985 e possui livro de registro genealógico oficial da raça, que é brasileira, do sul do país e da região do planalto serrano.

Na Divulgação da Lusitanidade- Parte II

Dirceu Costa é bisneto de açorianos e filho do senhor Lauro Costa, um outro tropeiro e apaixonado por cavalos.

 

 

 

Veterinário Dirceu Costa e um de seus garanhões.
Uma das características da raça é o tríplice apoio.

Seu bisavô quando aqui chegou, passou a exercer a profissão de pescador em São José da Terra Firme. Na época a tuberculose não tinha cura e muitos imigrantes contraíram a doença nos navios vindos da Europa para o Brasil ou em embarcações de pesca pelo litoral catarinense e temendo contágio, arrebanhou a família e subiu a serra, pois tinha ouvido dizer que o clima do planalto serrano, evitava e curava essa enfermidade.

Seu avô comprou na região um primeiro pedaço de terra e seguiu comprando e agregando uma terra a outra formando assim uma grande gleba. Tendo o tipo físico característico dos açorianos, de pouca estatura e um tanto encorpado, precisava de animais que lhe garantisse um determinado conforto durante as longas horas montado no lombo de cavalos, pelas trilhas dos tropeiros e foi então que optou pelo “Pelo Duro”, antigo nome do cavalo campeiro, dado em virtude da pelagem espessa que cresce nos animais que vivem soltos nos campos e decorrente da exposição ao frio. Quando os Ipês Amarelos florescem, é sinal de que o inverno está acabando e nessa época então, é que os pelos que protegeram os cavalos durante os dias frios do inverno, começam a cair e na região, dizem que o cavalo está a “pelinchar”.

diretamente no desenvolvimento da região e esses portugueses que para cá vieram, também deixaram sua contribuição na região do planalto serrano – ainda que em menor escala –  e mais especificamente onde hoje se encontra as cidades de Lages, Curitibanos, Campos Novos, São Joaquim e outras. Muitas são as famílias que possuem descendência portuguesa e essas pessoas quando chegaram na região, encontraram tudo por ser desbravado e  ainda muito selvagem, tanto quanto era na época, o próprio cavalo Campeiro.

Dócil, resistente a cavalgadas de grandes distâncias e próprio para as lidas do campo, o Cavalo Campeiro é uma ferramenta de trabalho para muitos fazendeiros da região do planalto serrano, onde a linhagem manteve-se pura e livre de consangüinidade, cuidado esse que todos os criadores da raça fazem questão de adotar. Muitos seguem na tradição da criação dos cavalos que vem desde quando os avós e bisavós começaram a selecionar suas tropas e assim continuou sendo ao longo do tempo.

Na Divulgação da Lusitanidade

Adiaspora.com – Na Divulgação da Lusitanidade.

Senhores Contadores…

Muitos são os acontecimentos que fizeram a história do lugar e das pessoas que lá vivem; o que elas são e o que representam.  E entre essas pessoas, algumas contam passagens vividas, com muita peculiaridade e entre um caso e outro, relatado sempre com muito enredo e de modo a fazer com que o ouvinte se sinta no ambiente do acontecimento e independente do tempo onde ele se passou, estão as passagens contadas pelo “um dos últimos tropeiros vivos de Curitibanos”, senhor Ivady Almeida.

Com oitenta e cinco anos – festejado em grande estilo recentemente – conta que seu bisavô, Coronel Henrique Paes de Almeida, vindo de Sorocaba, começou a criar cavalos na região e esses já existiam soltos nos campos e espalhados pelas coxilhas. Filho, neto e bisneto de tropeiros, seu Ivady  relata com os olhos distantes e a percorrer a paisagem a sua frente, que aos quatro anos de idade ajudou a conduzir uma tropa de gado por dez quilômetros e ao final do trabalho, teve de voltar sozinho para casa, já noite escura. Cresceu e como na época não havia carros, o meio de transporte eram os cavalos e o Campeiro, por ser um cavalo marchador oferecendo conforto e segurança para a montaria, passou então a ser o meio de transporte mais usado na região.

Interessado cada vez mais pelos cavalos, seu Ivady – assim como outros tantos criadores – passou a freqüentar as exposições pelo Brasil, tendo sido acompanhado na maioria delas, pelo amigo e companheiro, senhor Osny Machado Coninck. Juntos, levavam seus melhores animais para serem mostrados nas feiras pelo país, buscando  comparações capazes de auxiliar nos estudos e análises de formação do Cavalo Campeiro da região do planalto serrano. Durante muito tempo andaram garimpando informações e especificações que tornasse possível o enquadramento do cavalo em uma raça, quando por fim apareceu em cena um delegado do Ministério da Agricultura. Ao olhar para o cavalo, perguntou qual era a raça do animal…
Interessado, providenciou uma delegação composta por analistas credenciados pelo Ministério da Agricultura que partiram para Curitibanos. Após criteriosos estudos de padrões, perfil e características de modo geral, foi homologado o direito de registro e para tal, o veterinário Dirceu Costa, também de Curitibanos, foi enviado para cursos técnicos com a finalidade de proceder no registro da raça do Cavalo Campeiro, o marchador das Araucárias.

Senhores Ivady Almeida e Osny Machado Coninck
Fazenda da Lagoa em Campos Novos

 

Senhor Ivady Almeida – Cavalgada da Semana Farroupilha – Curitibanos

 

1ª Prova Oficial Para Cavalos de Marcha

A ABRACCC Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Campeiro e o Núcleo de Criadores de Concórdia-SC convidam para a 1ª Prova Oficial para Cavalos de Marcha – Cavalo Campeiro e Aberta no dia 11 de março de 2012 no CTG Fronteira da Querência – Prova Osny Coninck.

Programação oficial

10 de março – Sábado

  • Lançamento oficial do Núcleo Regional de Criadores de Cavalo Campeiro – Concórdia – SC
  • 20:00 hs – Apresentação da Diretoria, lançamento Oficial do Núcleo, site e música
  • 20:30 hs – Jantar de Confraternização – Porco a Paraguaia e acompanhamentos
  • 21:00 hs – Tertúlia

11 de março – Domingo

  • 1ª Prova Oficial Para Cavalos de Marcha – Campeiro e Aberta
  • 07:00 hs – Recepção e recebimento 70-496 de animais
  • 07:30 hs – Mateada e café
  • 09:00 hs – Prova aberta para cavalos de marcha
  • 10:00 hs – Avaliação e marcação de animais para registro
  • 12:00 hs – Almoço – 10ª Festa Regional dos Apreciadores da Carne de Cordeiro
  • 14:00 hs – 1ª Prova Oficial Cavalo Campeiros – Prova OSNI CONINCK
  • 15:00 hs –  Prova Funcional – demonstrativa
  • 15:30 hs – Passeios de charrete e poney
  • 16:00 hs – Entrega da premiação e encerramento

Informações:

Adalberto Hinkel: 9989-9313
Fabrício Nesi: 9994-7476
Flavio Fontana: 3442-3043
Gilberto Lima: 9949-4596